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A má utilização de privilégios; o Espírito Santo; o ofício dos apóstolos

Foto do escritor: Sónia RamosSónia Ramos

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19/09/2024

Leia João 15.22-27



Nesses versículos, nosso Senhor aborda três assuntos de grande importancia.

Sem dúvida, são assuntos difíceis, em relação aos quais facilmente nos enganamos. No entanto, as palavras de Jesus nessa passagem os esclarecem.

Em primeiro lugar, devemos observar como nosso Senhor fala a respeito da má utilização dos privilégios espirituais. Essa atitude intensifica a culpa e agrava a condenação do homem. Jesus disse a seus discípulos que, se não tivesse "falado" e realizado entre os judeus coisas que jamais haviam sido faladas e realizadas, eles "não teriam" pecado. Com essas palavras, o Senhor Jesus pretendia dizer: "Eles nunca foram tão culpados quanto agora". Tornaram-se completamente indesculpáveis. Ouviram e viram as mensagens e as realizações de Cristo, mas permaneceram na incredulidade. O que poderia ser feito por eles? Nada, absolutamente nada! Voluntariamente, pecaram contra a mais resplandecente luz que tiveram e tornaram-se os mais culpados dos homens.

Estabeleçamos como um dos grandes princípios de nossa vida espiritual o fato de que os privilégios espirituais, em certo sentido, são muito perigosos. Se não servirem para nos levar ao céu, eles nos lançarão nas profundezas do inferno. Aumentam nossa responsabilidade. "Àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão" (Lc 12.48). Está horrivelmente iludida a pessoa que, vivendo em um país no qual a Bíblia é proclamada com liberdade, pensa que, no Dia do Juízo, receberá o mesmo julgamento pronunciado àqueles que não ouviram falar do evangelho. A menos que se converta, descobrirá com muitas dores que seu julgamento será de acordo com a luz que possuía. O simples fato de que essa pessoa tinha conhecimento e deste não se beneficiou comprovará um de seus grandes pecados. "Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade, será punido com muitos açoites" (Lc 12.47). Meditar mais demoradamente sobre esse assunto seria bom para todos os que professam seguir Jesus. É muito comum os homens se consolarem com a ideia de que sabem o que é certo, enquanto, ao mesmo tempo, demonstram que ainda são incrédulos e estão despreparados para morrer. Descansam naquela infeliz afirmação: "Já sabemos isso, já sabemos". Pensam que o conhecimento pode cancelar seus pecados, esquecendo-se de que o diabo possui mais conhecimento do que qualquer um de nós. Permitamos que essas pungentes palavras do Senhor Jesus aprofundem-se em nossos corações e jamais sejam esquecidas: "Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado". Possuir luz e não utilizá-la corretamente, ter conhecimento e desprezá-lo, ser capaz de asseverar "Eu sei", e não dizer "Eu creio" - essas atitudes colocarão os homens no mais desprezível lugar, à esquerda de Cristo, no grande Dia do Juízo.

Em segundo lugar, devemos observar nesses versículos o que nosso Senhor fala a respeito do Espírito Santo. Ele se referiu ao Espírito como uma pessoa, chamando-o o "Consolador", que viria. Jesus afirmou que o Espírito Santo seria enviado e procederia do Pai. Seu ofício seria testemunhar. Essas coisas não podem ser ditas a respeito de uma mera influência ou de um sentimento interior. Interpretá-las desse modo é contradizer o sentido básico e distorcer o significado evidente da linguagem. A lógica e a imparcialidade exigem que entendamos essas afirmações como referências a um ser pessoal, aquele a quem adoramos como a terceira pessoa da bendita Divindade.

Também nosso Senhor referiu-se ao Espírito Santo como aquele que ele enviaria e procederia da parte do Pai. Sem dúvida, essas verdades são profundas, tão profundas que não podemos esquadrinhá-las. O fato de igrejas do Oriente e do Ocidente estarem divididas por causa do significado dessas palavras deve ensinar-nos que precisamos abordá-las com humildade e reverência. Acima de tudo, uma verdade permanece evidente: existe um íntimo relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Não podemos explicar por que o Espírito Santo seria enviado pelo Filho e procederia do Pai. Mas podemos sossegar nossa mente com o pensamento expresso em um credo antigo: "Na Trindade, nenhuma das Pessoas está à frente ou atrás da outra; Nenhuma é maior ou menor do que a outra". "O Pai é semelhante ao Filho, que é igual ao Espírito Santo." Além disso, podemos descansar tranquilos na certeza de que, na salvação de nossas almas, todas as pessoas da Trindade cooperam igualmente. Foi o Deus triúno quem disse: "Façamos o homem"; também foi o Deus triúno quem disse: "Salvemos o homem".

Tenhamos sempre cuidado em apresentar a doutrina sobre o Espírito Santo. Estejamos certos de que sustentamos pontos de vista corretos e bíblicos a respeito da natureza, pessoa e atividade do Espírito Santo. A religiosidade que não tem lugar para o Espírito Santo e rejeita sua atividade é muito comum em nossos dias. Estejamos atentos para que esse não seja o nosso tipo de vida espiritual. "O que representa para mim o Cordeiro, o Senhor Jesus Cristo?", essa deve ser a primeira indagação de nosso cristianismo. A segunda deve ser: "Qual é o lugar do Espírito Santo?". Estejamos bem atentos para que a obra do Espírito Santo não se encontre de tal maneira sepultada em opiniões extravagantes sobre a igreja, sobre o ministério cristão e sobre as ordenanças, que o verdadeiro Espírito Santo das Escrituras esteja ausente de nosso cristianismo. "Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele" (Rm 8.9). Nenhuma religião merece ser chamada apostólica ou bíblica se a obra do Espírito não estiver em proeminência e ocupar lugar de prioridade.

Por último, devemos observar nesses versículos a maneira como nosso Senhor fala sobre o ofício dos apóstolos. Eles deveriam testemunhar ao mundo: "Vós também testemunhareis".

Essa expressão é bastante instrutiva e abundante em significado. Mostrava aos onze o que deveriam fazer enquanto vivessem - deveriam testemunhar sobre fatos em que muitos não creriam e anunciar verdades que muitos não apreciariam. Com frequência estariam sozinhos, poucos contra muitos, um pequeno rebanho contra uma grande multidão. Nenhuma dessas coisas haveria de impedi-los. Não deveriam estranhar a perseguição, o ódio, a oposição ou o descrédito. Nada disso poderia inquietá-los. Sua grande obrigação era falar, quer os homens cressem, quer não. Testemunhando desse modo, seus feitos estariam registrados nos céus, no livro das recordações de Deus, e, mais cedo ou mais tarde, o Juiz de todos lhes daria a incorruptível coroa de glória.

Ao concluir essa passagem, jamais esqueçamos que o ofício dos apóstolos assemelha-se ao que, em certo sentido, todo verdadeiro crente deve realizar, enquanto vive neste mundo. É necessário que sejamos testemunhas de Cristo. Não devemos nos envergonhar de permanecer firmes em favor dele, anunciando solenemente e persistindo em sustentar a verdade do evangelho de Cristo. Onde vivermos, na capital ou no interior, individual ou publicamente, em nosso país ou no exterior, temos de confessar com ousadia nosso Senhor, em cada oportunidade. Fazendo isso, seguiremos os passos dos apóstolos, agradaremos a nosso bendito Senhor e podemos esperar que, no final, receberemos a recompensa dos apóstolos.



Leituras diárias compiladas para o Ministério das Mulheres IESBR por Sónia Ramos


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